Valor Econômico
29/10/2015
Por Luiz Antonio Cintra

São recentes as iniciativas em prol da educação financeira no país. Mas, desde 2011, quando foi criado o Programa de Educação Financeira nas Escolas, do Ministério da Educação e de instituições da iniciativa privada, o público beneficiado por políticas para a divulgação de termos e princípios financeiros cresceu rapidamente.

À frente de várias iniciativas, em parceria com o MEC e outras instituições, a Associação de Educação Financeira, a AEF Brasi l, Oscip criada há três anos pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), BMF&Bovespa, Associação Brasileira das Entidades de Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) e a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg). "Temos trabalhado para desenvolver tecnologias pedagógicas para a educação financeira, para alunos do ensino médio, fundamental e também adultos", diz Fábio Moraes, superintendente da AEF Brasil. Nesse período, a oscip desenvolveu livros didáticos, paradidáticos, games e plataformas digitais, apresentando conceitos ligados ao tema a 986 escolas, 236 mil alunos e 3,7 mil professores em todos os estados, segundo Moraes.

Na primeira rodada, o foco da atuação foram os alunos do ensino médio e os materiais pedagógicos produzidos foram pensados para ir além de conceitos matemáticos. "Podem ser usados também por professores de outras áreas, como história e geografia, entre outras", diz o superintendente da AEF Brasil, que estima já terem sido investidos mais de R$ 10 milhões pela organização.

Um bom caminho para acessar o material produzido é o site da AEF Brasil, que abriga plataformas digitais de conteúdo multimídia, abertas e gratuitas, por meio das quais é possível fazer o download de livros, cartilhas, vídeos e outros itens pedagógicos. "Agora começamos um projeto-piloto para alunos mais novos, do ensino fundamental, em Manaus e Joinville", diz Moraes. Nesse caso, a iniciativa terá a participação de técnicos do Banco Mundial, encarregados de avaliar a eficácia do projeto.

A AEF Brasil também criou, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e do Ministério da Previdência Social, um programa para levar a educação financeira ao público adulto considerado "fragilizado". Foram escolhidas 12 mil pessoas, entre mulheres cujas famílias participam do Bolsa-família, e aposentados de menor renda. A iniciativa conta com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Em outra frente de atuação, nos dias 7 e 8 de dezembro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) promoverá uma conferência internacional sobre o tema, no Rio de Janeiro, com representantes de dezenas de países e um total de 750 inscritos. Participarão os ministros da Educação do Peru e da Colômbia. "Desde 2007 a CVM atua na área, quando lançamos um portal voltado para o público infantil, com quadrinhos sobre conceitos ligados à educação financeira", diz José Alexandre Vasco, superintendente de Proteção e Orientação aos Investidores da CVM.

Em novembro, também no Rio, a CVM e a BMF&Bovespa entregarão prêmios aos ganhadores do concurso "Meu Pé de Meia", que dará iPads aos melhores vídeos e posts publicados nas redes sociais, falando sobre educação financeira. A CVM estima que o alcance dessa iniciativa na internet tenha chegado a 143 mil pessoas - 200 alunos de escolas públicas do Rio foram convidados a assistir à premiação. "A iniciativa nas redes sociais foi muito importante porque envolveu não apenas jovens e crianças, mas também mostrou o interesse de professores e pais, que participaram ativamente", diz Débora Souza, da coordenação de Educação Financeira da CVM.

E mesmo profissionais da área são alvo de campanhas educacionais, como conta Haroldo Levy Neto, coordenador do Comitê de Orientação para Divulgação de Informações ao Mercado (CODIM), da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), que atua em parceria com a CVM. As duas instituições buscam atingir profissionais ligados às áreas de Relações com os Investidores de empresas de capital aberto, com o objetivo de melhorar a qualidade da informação financeira apresentada aos investidores.

Por meio de procedimentos elaborados por profissionais de vários segmentos do mercado financeiro e de capitais, o CODIM busca padronizar os informes divulgados, no sentido de ampliar a transparência e melhorar a qualidade. Desde 2005, quando foi criado, já emitiu 18 recomendações. "Uma das primeiras discussões foi sobre como as empresas devem proceder com a divulgação de informações relevantes a partir do momento em que decidem fazer uma oferta inicial de ações", diz Levy Neto, um dos profissionais financeiros que se dedicam ao CODIM voluntariamente. Agora, as discussões giram em torno da qualidade das notas explicativas dos balanços financeiros, muitas vezes incompreensíveis inclusive para quem é do ramo.